Uma palavra sobre o dia 8 de Março. Convencionamos festejar neste dia o ‘nascimento’ do Vale de Acór, em 1994. No entanto, pelo menos desde quatro anos antes já falávamos, rezávamos e trabalhávamos no sentido de começar com ‘isto’ que ainda nem sequer tinha nome. Em 1993 o primeiro grupo de terapeutas foi estagiar para Itália, no Projecto Homem de Pescara: a Margarida, a Sofia e a Filipa. Mas, de facto, foi no dia 1 de Março de 94 que recebemos os nossos primeiros utentes. Chegaram o Rui, o João, o Paulo e poucos mais. No desígnio de Deus, quase todos os que inauguraram o programa levaram-no até ao fim!
Ora, acontece que no dia 8 de Março se festeja também S. João de Deus. Português de quinhentos (nesse século em que em tudo fomos grandes), nascido em Montemor- o – Novo, depois de uma vida aventurosa, foi chamado pela mão de Deus, que (re)faz os corações, a servi-l’O nos mais pobres e, no caso, nos doentes afectados por comportamentos e marginalidades próximas do que hoje são os alcoólicos, toxicodependentes e os presos a quem o Vale de Acór procura servir. Por conseguinte, é sob o velho manto roto e sujo do também chamado João Cidade que nos colocamos, a ver se desses rasgões que a graça abre no céu a partir dos santos nos vem a graça de nos sujarmos, nós também, a servir os ‘novos pobres’ para quem o Senhor quis e quer o Seu Vale de Acór.
Felizmente, não estamos naquela fase triste das pessoas e instituições onde só se fala do que passou. Graças a Deus, fazemos hoje, creio e penso que igual, ou com melhor motivação, aquilo a que nos percebemos chamados. E aí está o Projecto Acordar que avançará a partir de dia 15 na prisão de Pinheiro da Cruz a prová-lo. Bendito seja o Nome de Deus, então, por toda esta história visível e invisível que Ele nos permite fazer por aqui desde “8 de Março de 1994”!
Pe Pedro Quintella