“Enquanto uma pessoa não se confronta consigo própria nos olhos e corações de outras pessoas, foge” (da Filosofia Projecto Homem)
É assim que começamos todas as manhãs a vida da Comunidade, abraçando e promovendo a relação, essa mesma que permite o crescimento e a mudança pessoal.
Cada vez mais, o olhar da nossa equipa terapêutica vai para a importância do restabelecimento da confiança e das ligações verdadeiras entre as pessoas.
É pela consciência da responsabilidade para com as vidas que a nós se entregam que fazemos uma formação semanal, protagonizada pelo Dr. Pedro Lau Ribeiro, um dos nossos psiquiatras, centrada no tema “aliança terapêutica”.
“Aqui juntos cada um de nós pode enfim manifestar-se abertamente” (da Filosofia Projecto Homem)
Actualmente temos 62 pessoas no grupo da comunidade terapêutica, um terço das quais apresenta uma patologia psiquiátrica associada à toxicodependência.
Acreditamos que a própria comunidade, em conjunto com a intervenção dos nossos psiquiatras, é um terreno seguro para o restabelecer da relação humana primordial. Viver em comunidade, perceber-se incluído nela, pertencer-lhe, restitui a cada um a sua dignidade essencial.
Na abordagem desta problemática tivemos o privilégio de receber no Vale de Acór, a Dra Maria Teresa Ferla, psiquiatra e directora da Unidade Operativa de Psiquiatria de Milão, que apresentou algumas conclusões dos seus 25 anos de trabalho em comunidades de saúde mental, frisando que o que fica de mais profundo é precisamente a necessidade de mergulhar no encontro com o outro, dar-lhe o que lhe pertence, que é ser pessoa “dependente”, não do fármaco, não da droga, não do álcool, mas da relação.
Abrimos também nesse encontro a nossa casa à presença de técnicos de outras instituições desta área e de outras comunidades terapêuticas, dada a relevância da troca de experiências e a necessidade de aprofundamento dos conhecimentos, neste campo tão exigente quanto a complexidade da pessoa.
Este é o nosso desafio, chamar pelo nome aqueles que nos pedem ajuda, olhá-los e escutá-los, permitindo que olhem para fora de si a partir da segurança de uma comunidade.